Rótulos de cosméticos: o que a lista de ingredientes diz e o que não diz
A ordem dos nomes é informação. O resto da embalagem, muitas vezes, não é.
Por Inês Carvalho, Lisboa · 8 de setembro de 2026
Na União Europeia a lista de ingredientes de um cosmético tem nome próprio: INCI. É obrigatória, é igual em todos os países e segue uma regra simples — ordem decrescente de quantidade, até aos 1%.
Daí sai a primeira leitura útil: o que está nos três primeiros lugares é o produto. O que está depois do primeiro conservante costuma estar em quantidade pequena, por mais destaque que tenha na frente da embalagem.
A segunda leitura é o que a frase comercial não pode dizer. Um cosmético não trata, não cura e não previne doença — se dissesse, deixava de ser cosmético e passava a medicamento, com outro regime legal inteiro.
Por isso as embalagens honestas falam em aspeto, conforto e hidratação, e as frases vêm qualificadas: «ajuda a», «contribui para». Quando uma promete resultado garantido, o problema não é o creme — é a frase.
Vale ainda olhar o símbolo do frasco aberto com um número: é o prazo depois de aberto, em meses. Costuma ser mais curto do que a validade impressa, e é o que conta.