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Rótulos de cosméticos: o que a lista de ingredientes diz e o que não diz

A ordem dos nomes é informação. O resto da embalagem, muitas vezes, não é.

Por Inês Carvalho, Lisboa · 8 de setembro de 2026

A textura diz pouco sobre o que está no frasco. A lista de ingredientes diz quase tudo. · Content Pixie / Unsplash (CC0)

Na União Europeia a lista de ingredientes de um cosmético tem nome próprio: INCI. É obrigatória, é igual em todos os países e segue uma regra simples — ordem decrescente de quantidade, até aos 1%.

Daí sai a primeira leitura útil: o que está nos três primeiros lugares é o produto. O que está depois do primeiro conservante costuma estar em quantidade pequena, por mais destaque que tenha na frente da embalagem.

A segunda leitura é o que a frase comercial não pode dizer. Um cosmético não trata, não cura e não previne doença — se dissesse, deixava de ser cosmético e passava a medicamento, com outro regime legal inteiro.

Por isso as embalagens honestas falam em aspeto, conforto e hidratação, e as frases vêm qualificadas: «ajuda a», «contribui para». Quando uma promete resultado garantido, o problema não é o creme — é a frase.

Vale ainda olhar o símbolo do frasco aberto com um número: é o prazo depois de aberto, em meses. Costuma ser mais curto do que a validade impressa, e é o que conta.